Anestesiologista responsável da Clínica Marchesini

Dr.Williams Zanatta

O QUE É A ANESTESIA?

A anestesia é um conjunto de técnicas que tem por finalidade eliminar as sensações desagradáveis da operação e proteger o paciente de situações de risco que eventualmente podem ocorrer durante a cirurgia.

UM POUCO DA HISTÓRIA...

Durante séculos foram realizadas operações com técnicas rudimentares de anestesia em que se tentava aliviar a dor do paciente por meio de hipnose, aplicação de frio, compressão de nervos e vasos sangüíneos, ou ingestão de álcool. É fácil perceber que as cirurgias daquela época tinham que ser muito rápidas e serviam apenas para amputações, extrações de cálculos vesicais ou tumores superficiais. Além disso o processo era extremamente doloroso e freqüentemente levava o infeliz à morte.

A primeira demonstração pública de anestesia geral bem sucedida ocorreu em 16 de outubro de 1846, por William Thomas Green Morton, no Massachusetts General Hospital em Boston, para uma cirurgia no pescoço. Foi com enorme emoção que o cirurgião se dirigiu a atônita platéia: "Senhores, isto não é um embuste".

Naquela data iniciava-se uma nova era na medicina. Além da redução do sofrimento da humanidade pelo alívio da dor, os cirurgiões puderam agir sobre órgãos do corpo humano antes inimagináveis, desenvolver técnicas cirúrgicas mais invasivas e propor tratamento a doenças que até então eram sinônimo de óbito, como por exemplo a apendicite.

Daquele tempo até a anestesia moderna muita coisa mudou. Houve um avanço gigantesco com a descoberta de novos medicamentos, desenvolvimento de métodos de administração de anestesia e métodos de monitorização das funções vitais do organismo. Houve uma redução drástica na mortalidade trans-operatória além da possibilidade de operar pacientes em estado geral muito mais comprometido.

Mas apesar de todo este avanço tecnológico o temor da maioria das pessoas que se vêem diante da necessidade de uma cirurgia ainda é, mais freqüentemente, a anestesia. Mas por que tanto medo? Vamos analisar as principais dúvidas dos pacientes:

QUAL SERÁ A MINHA ANESTESIA?

A escolha da anestesia depende do tipo de cirurgia a ser realizada e das condições gerais do paciente. Como princípio básico podemos dizer que a anestesia será a mais simples possível, ou seja, será realizada aquela que trouxer menores alterações ao paciente mas que permita a realização do ato operatório. Se a cirurgia puder ser realizada com uma  anestesia local , é a que será feita. Se houver necessidade de uma cirurgia mais ampla poderá ser proposta uma anestesia regional como a peridural , ou raquianestesia por exemplo. Ou em outras situações haverá necessidade de anestesia geral . De qualquer forma o critério principal para a decisão do tipo de anestesia é a segurança do paciente.

ESTOU COM MEDO!

O temor diante de uma situação desconhecida é absolutamente natural, principalmente quando está cercada de algum risco.

MAS ENTÃO HÁ RISCO?

Qualquer decisão que tomamos durante a nossa vida implica em um risco intrínseco. Quando decidimos atravessar uma rua assumimos inconscientemente ou até mesmo de forma consciente um risco calculado, tomamos as precauções necessárias para reduzi-lo e vamos em frente. Como este tipo de decisão faz parte do nosso cotidiano quase não nos apercebemos das possibilidades da ocorrência de um acidente. Como a cirurgia é um acontecimento fora do comum na vida de um indivíduo, é natural que haja apreensão em torno dele.

O RISCO DA MINHA CIRURGIA É GRANDE?

De uma maneira simplificada podemos comparar o risco da anestesia e cirurgia com uma viagem. Quanto mais curta for, quanto melhores as condições da estrada, e quanto mais precauções tomarmos em relação ao veículo (freios, pneus, motor, etc...) tanto melhor será a nossa viagem.

Na visita do anestesiologista ao paciente antes da cirurgia, ele está justamente obtendo dados para tomar as devidas precauções para tornar o risco o menor possível, de tal forma que na grande maioria das cirurgias atuais o risco é bastante pequeno.

QUEM SERÁ MEU ANESTESIOLOGISTA?

Na maioria das vezes o paciente procura o cirurgião e confia nele. O anestesiologista é escolha do cirurgião. A confiança no anestesiologista ocorre portanto, de maneira indireta e se estabelece de maneira mais sólida por ocasião da visita pré-anestésica.

Assim como os médicos precisam obter informações do paciente, é direito do paciente conhecer as condições técnicas de quem lhe fará a anestesia e do local onde será operado. Um bom parâmetro a ser pesquisado é se os anestesiologistas em questão estão filiados à Sociedade Brasileira de Anestesiologia, se o seu anestesiologista estará integralmente a sua disposição e ao seu lado durante a cirurgia, quais equipamentos serão utilizados e se existe uma unidade de recuperação pós-anestésica bem estruturada.

EU NÃO QUERO VER NADA!

É desejo da grande maioria dos pacientes sair do seu quarto dormindo e só despertar quando já houver a ele retornado. Com a finalidade de reduzir esta ansiedade são prescritos ansiolíticos na noite que antecede a cirurgia e pouco antes do paciente ser encaminhado ao centro cirúrgico. Nem todos os pacientes que recebem ansiolíticos vão ao centro cirúrgico dormindo mas invariavelmente vão tranqüilos. Isto quer dizer que aquela intenção de estar absolutamente dormindo antes de ir ao centro cirúrgico não se justifica.

Já na sala de cirurgia o paciente poderá receber sedação para complementar a medicação pré-anestésica.

O QUE SERÁ FEITO COMIGO NA SALA DE OPERAÇÕES?

Na chegada à sala de cirurgia o paciente terá uma veia do antebraço puncionada pelo anestesiologista ou um auxiliar seu, onde será administrado soro e as medicações que se fizerem necessárias. Portanto habitualmente não são necessárias novas punções.

O paciente receberá também oxigênio sob máscara ou cateter nasal.

Serão instalados os monitores a serem utilizados.

O cirurgião checará as condições de sua equipe e quando julgar possível solicitará o início da anestesia.

COMO O ANESTESIOLOGISTA PODE SABER SE NÃO ESTOU SENTINDO DOR JÁ QUE NÃO POSSO ME COMUNICAR?

No caso de anestesias regionais a comunicação é até possível uma vez que o paciente estará no máximo sedado, de tal forma que poderá se queixar caso sinta algo desagradável. Porém em anestesia geral de fato não há condições de comunicação. O emprego dos anestésicos em suas doses recomendadas e a vigilância do paciente pelo anestesiologista garantem a ausência de dor. O anestesiologista atento pesquisa continuamente sinais no paciente que informam o grau de profundidade da anestesia. O anestesiologista avalia constantemente a necessidade de administrar mais ou menos anestésicos uma vez que este é um processo contínuo.

O QUE VOU SENTIR NO PÓS-OPERATÓRIO?

Isto depende do tipo de cirurgia e de anestesia realizadas, mas em linhas gerais as queixas mais freqüentes são:

- Tremores: muito comuns em anestesia peridural ou raquianestesia podem ocorrer também após anestesia geral.

- Náuseas e vômitos: muito freqüentes no passado houve uma redução acentuada em sua incidência em virtude da mudança de anestésicos e da instituição de medidas preventivas. Mesmo assim ocorrem ocasionalmente em pacientes suscetíveis e podem se tornar motivo de desconforto importante.

- Sonolência: é compreensível que após anestesia geral ou mesmo sedação haja algum grau de sonolência.

- Demora na recuperação da anestesia regional: o tempo de duração de anestesia regional é bastante variável em conformidade com o anestésico administrado e com as características individuais de cada paciente. É também bastante comum o fato do paciente recuperar a sensibilidade de um membro inferior antes de outro.

- Dor: atualmente as atenções de todos os anestesiologistas têm se voltado à prevenção e ao tratamento adequado da dor pós-operatória. Se por um lado a dor trans-operatória foi totalmente controlada, o tratamento da dor pós-operatória ainda requer aperfeiçoamento. É bem verdade que as modernas técnicas de analgesia têm se mostrado bastante eficazes, principalmente quando há a possibilidade de associar à anestesia geral algum tipo de bloqueio regional. É aconselhável que o paciente converse com o seu anestesiologista sobre as possibilidades de evitar a dor.

- Irritação na garganta: pode ocorrer após anestesia geral uma vez que na maioria dos casos há a necessidade da introdução de um tubo na traquéia que tem por finalidade permitir a condução do oxigênio aos pulmões. A presença às vezes prolongada deste tubo traqueal pode determinar algum grau de irritação, mas felizmente é tolerável e de curta duração.

- Dificuldade para urinar: embora não muito comum alguns pacientes apresentam retenção urinária, sendo algumas vezes necessária a drenagem da bexiga através do cateterismo vesical através da uretra.

A maioria dos pacientes não apresenta qualquer destes inconvenientes.

PARA ONDE VOU APÓS O TÉRMINO DA CIRURGIA?

A recuperação da anestesia deve ocorrer em local apropriado, com vigilância e monitorização. É aconselhável que o paciente investigue se o hospital onde será operado dispõe de unidade de recuperação pós-anestésica imediata, com enfermagem e monitorização própria. Para alguns pacientes é sugerido que a recuperação se dê na unidade de terapia intensiva, onde a atenção pode ser mais particularizada.

O retorno ao leito só ocorre quando o anestesiologista está seguro de que o paciente pode se manter por seus próprios meios e apresenta condições de chamar o pessoal de enfermagem caso necessário.

QUANDO PODEREI ME ALIMENTAR?

É absolutamente necessário que o paciente esteja em jejum para ser submetido à anestesia. Por menor que seja a quantidade de alimento ingerido, ocorre a liberação de suco gástrico, que durante a execução da anestesia pode ser regurgitado até a boca e eventualmente até aspirado pelos pulmões. É uma complicação grave que requer tratamento imediato. O tempo de jejum é muito importante pois o tempo de esvaziamento do estômago pode estar severamente retardado em situações de estresse. Recomenda-se um período de jejum mínimo de 6 horas após refeições leves antes do início da anestesia. É evidente que situações de emergência são tratadas de forma mais agressiva sendo que muitas vezes não há a possibilidade de se esperar pelo jejum.

No pós-operatório o cirurgião determina a volta da alimentação na dependência do tipo de cirurgia realizado.

A conversa com o anestesiologista é provavelmente o melhor tranqüilizante. O paciente deve tirar dúvidas, questionar, e estar seguro de que será bem cuidado. O anestesiologista é seu amigo e tudo fará para proporcionar conforto e elevar ao máximo a segurança do seu paciente.

 

 

 

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