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NEUROCIÊNCIA E CIRURGIA BARIÁTRICA


Por Dr Caetano Marchesini | Publicado dia 24/04/2018 ás 11h54 - Atualizado em 24/04/2018 ás 12h20

A cirurgia bariátrica é considerada o tratamento mais eficaz e duradouro para a obesidade mórbida. Isso significa que os pacientes submetidos a ela não apenas perdem peso, mas também têm mais chances de manterem a perda de forma consistente. Hoje em dia sabemos que a cirurgia bariátrica não é apenas um procedimento restritivo, ou seja, ela não funciona só porque cria uma restrição física à alimentação.

Diversos mecanismos fisiológicos estão por trás da ação da cirurgia bariátrica, como, por exemplo, o aumento precoce de hormônios intestinais que causam diminuição do apetite e alterações na palatabilidade de alimentos, como o GLP-1 e o PYY, proporcionado pelo bypass gástrico. Isso equivale a dizer que a cirurgia bariátrica altera a percepção de sabor dos alimentos, particularmente os calóricos, além de antecipar a sensação de saciedade, isto é, pacientes bariátricos passam a ter uma experiência alimentar favoravelmente diferente daquela que tinham quando estavam obesos.

Sabe-se que a obesidade é uma doença que cursa com alterações do prazer associado à alimentação, causando aumento tanto do desejo por alimentos calóricos quanto do prazer associado a seu consumo. Desta forma, indivíduos obesos gostam muito destes alimentos e querem consumi-los cada vez mais.

É possível que o aumento do desejo e da motivação para consumir alimentos palatáveis possam estar por trás de alterações cognitivas já documentadas em indivíduos obesos, as quais podem ser revertidas com a cirurgia bariátrica. Portanto, além de gostar e de desejar alimentos calóricos de forma anormal, pessoas sofrendo de obesidade pensam tanto neste tipo de alimento que chegam a se desconcentrar de suas atividades habituais, podendo apresentar alterações de atenção, de memória e da motivação.

  As alterações da experiência alimentar e os déficits cognitivos presentes na obesidade estimularam a pesquisa a respeito dos efeitos da cirurgia bariátrica no cérebro dos indivíduos operados. Tal investigação é realizada através de uma técnica de neuroimagem chamada de ressonância magnética funcional (RMF), que registra quais áreas do cérebro ficam mais ativas quando um indivíduo realiza alguma tarefa (a RMF também mostra quais áreas cerebrais estão mais ativas e conectadas quando o cérebro está em repouso).

Pesquisadores dos efeitos cerebrais da cirurgia bariátrica utilizam protocolos experimentais caracterizados pelo registro da atividade de áreas cerebrais de interesse em indivíduos obesos antes e depois da cirurgia. Por exemplo, a atividade de centros de processamento de recompensa e prazer ou de centros de regulação do controle cognitivo e da impulsividade frente a um estímulo alimentar podem ser examinadas com RMF.

Nestes estudos, a atividade destas regiões é documentada e comparada enquanto os pacientes observam figuras de alimentos palatáveis, de alimentos não palatáveis e de figuras de objetos, antes e após a cirurgia e tais atividades são confrontadas com as de indivíduos magros submetidos ao mesmo procedimento experimental. Utilizando tal paradigma experimental, Ochner e colaboradores (2011) reportaram diminuição pós-cirúrgica da atividade de áreas cruciais para o processamento da recompensa em resposta a estímulos visuais e auditivos de alimentos calóricos em mulheres portadoras de obesidade mórbida. Bruce e colaboradores (2012) mostraram tanto diminuição da ativação de áreas cerebrais da recompensa quanto aumento da atividade de áreas relacionadas ao controle cognitivo após a cirurgia bariátrica em obesos graves frente à exposição a pistas alimentares, sugerindo que não só o prazer e o desejo relacionado aos alimentos calóricos, mas também a capacidade de autocontrole para não consumi-los são melhorados com o tratamento cirúrgico.

Mais recentemente Scholtz e colaboradores (2014) compararam as respostas cerebrais a pistas alimentares através de RMF de pacientes submetidos ao bypass gástrico e de pacientes submetidos à banda gástrica, mostrando que a diminuição de todo o sistema de recompensa frente a alimentos calóricos é maior em pacientes submetidos ao bypass, bem como que estas respostas podem estar associadas ao aumento dos níveis de GLP-1 e de PYY proporcionadas por esta técnica. Holsen e colaboradores (2017), ao estudarem por RMF os efeitos da gastrectomia vertical de Sleeve em centros de recompensa em resposta a pistas alimentares, sugerem que estes efeitos são mantidos em longo prazo, por até 12 meses. 

 Atualmente alguns pesquisadores têm modificado o protocolo experimental, examinando através de RMF o cérebro em repouso dos indivíduos obesos antes e depois de serem operados, ao invés de estimulá-los com pistas de alimentos muito calóricos. Wiemerslage e colaboradores (2017) mostraram com este método que a cirurgia bariátrica regula a atividade em repouso de áreas envolvidas no reconhecimento da fome, tornando mais eficiente a identificação de estados corporais como a fome e a plenitude.

Estudos de longo prazo com RMF de repouso também já existem: Olivo e colaboradores (2017) estudaram a conectividade cerebral em repouso em 16 obesas mórbidas 1 mês antes de se submeterem ao by-pass gástrico, 1 mês e 1 ano depois do procedimento, comparando-as com as de 12 controles magras. Estes autores mostraram redução da atividade de áreas cerebrais de recompensa após a cirurgia, bem como redução após um ano da atividade de áreas associadas ao controle cognitivo e à percepção corporal, em linha com os resultados de Wiemerslage e colaboradores.

 Tais resultados mostram que a mente obesa “reage” muito mais intensamente a pistas de alimentos calóricos, aumentando o prazer, o desejo e a motivação por obtê-los, à custa de prejuízos em outras esferas cognitivas, e diminuindo a capacidade de controlar a impulsividade alimentar.

Por outro lado, os estudos com cérebro de repouso mostram que, mesmo na ausência de estímulos alimentares, estruturas cerebrais de recompensa, controle cognitivo e de percepção de estados corporais apresentam conectividade anômala, favorecendo o não reconhecimento de estados psicológicos como a saciedade e estimulando a alimentação descontrolada. Em virtude destes resultados, é possível que, em breve, a neuroimagem funcional, através da identificação de padrões anômalos de recrutamento e conectividade cerebral, forneça critérios preditivos operacionais de perda de peso após a cirurgia bariátrica.

 

Hélio Tonelli é psiquiatra Interconsultor da Clínica Caetano Marchesini

 


Resultado

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Menor que 17

Segundo a fórmula de Quetelet (IMC) seu peso está abaixo da normalidade. Muitas vezes é necessário complementar esta conta com um exame de bioimpedância. A bioimpedância é capaz de segmentar seu corpo calculando a quantidade de gordura e músculos. Na clínica dispomos deste exame em equipamento de última geração.

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Entre 17 a 18.50

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Entre 18.5 e 25

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Entre 25 e 29,99

Seu IMC representa o sobrepeso. Para esta faixa de excesso de peso, o tratamento é apenas clínico . Geralmente, mudanças nos hábitos alimentares com orientação nutricional e controle da ansiedade com acompanhamento psicológico e, algumas vezes, psiquiátrico é recomendado. E finalmente, não esquecer da importância da atividade física para ajudar a aumentar o gasto calórico, levando a uma perda de peso maior e duradoura.

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Entre 30 e 34,99

Seu IMC representa uma Obesidade Grau I . Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica esta faixa de excesso de peso não poderá se beneficiar com a cirurgia. Atualmente o tratamento de escolha é o Balão Intragástrico associado à um acompanhamento mensal com equipe multidisciplinar. A aderência a este tratamento pode levar a perda de peso em média de 15 a 25 Kg em 6 meses.

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Entre 35 e 39,99

Seu IMC representa uma Obesidade Grau II. Nesta faixa de peso, pessoas com doenças associadas à obesidade como pressão alta, diabetes ou pré-diabetes, doenças articulares ou de coluna, apnéia do sono grave, colesterol alto são indicativos de cirurgia bariátrica. Para saber se este é o seu caso precisa fazer exames específicos.

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Sim                        Não

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Maior que 40

Seu IMC representa Obesidade Mórbida. Atualmente não existe tratamento mais efetivo do que a cirurgia bariátrica para esta faixa de obesidade. A taxa de pacientes tratados clinicamente que voltam a engordar em dois anos com IMC acima de 40 chega a 92%.

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