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ASPECTOS CLÍNICOS


Sobre a Obesidade

A obesidade é uma doença caracterizada por ganho de peso devido ao acúmulo de gordura (tecido adiposo5) e é definida por um valor do índice de massa corporal acima de 30 Kg/m2.

A forma mais fácil de saber qual é a condição do peso de um indivíduo, é calculando o índice de massa corporal que é o peso em quilos, dividido pela altura em metros ao quadrado. Ou seja, dividir o peso pela altura e o resultado desta conta deve ser dividido novamente pela altura. Confira a fórmula do IMC1 ao lado.

O IMC e ÍNDICE CINTURA-QUADRIL

Vamos exemplificar o cálculo do IMC através de um cálculo básico: se você pesa 100 kg e tem um metro e setenta (1,70) seu IMC será de 34,6. (100 dividido por 1,70 e o resultado divido novamente por 1,70).

Mas é preciso ressaltar que, muitas vezes, a real situação do paciente e sua distribuição da gordura corporal só será obtida através de medidas antropométricas como a circunferência abdominal.

Quanto maior a circunferência abdominal, maior é o risco de apresentar doenças cardiovasculares e risco de morrer delas quando presente. Outra maneira é através de uma bioimpedância2.

Valores de circunferência abdominal maior que 94cm para homens e 80cm para as mulheres, é um dos critérios no diagnóstico da Síndrome Metabólica. A circunferência abdominal é necessária para que possamos calcular o Índice Cintura-Quadril

O índice cintura-quadril representa a razão (divisão) entre a circunferência abdominal e o quadril.

Índice abdominal é determinado pela divisão entre a circunferência abdominal e a altura (normal = 0,5).

Talvez muitas pessoas não saibam da importância da relação entre a cintura e o quadril, (RCQ*) e se preocupam somente com o cálculo do IMC, esquecendo que as gorduras localizadas principalmente na região abdominal ao redor da cintura, fazem com que a pessoa seja mais propensa a problemas de saúde. O contrário, se a maior parte da gordura estiver localizada nas coxas e quadris (isso vale mesmo se o índice de massa corporal estiver na faixa considerada normal).

Vamos as medidas que merecem um alerta referente a cintura:

Saiba como calcular seu Índice Cintura x Quadril

*RCQ = Circunferência da Cintura (cm) / Circunferência do Quadril (cm)

Atualmente um exame mais preciso e rápido está ao alcance dos pacientes, chama-se Bioimpedância.

Por meio desse exame, é possível saber, com alta precisão:

  • Massa de músculo esquelético
  • Massa de gordura corporal
  • Água corporal total
  • Massa livre de gordura
  • IMC
  • Percentual de gordura corporal
  • Relação cintura/quadril
  • Taxa de metabolismo basal
  • Controle de gordura
  • Controle de músculos
  • Análise segmentada de massa magra (quatro membros e tronco)
  • Impedância de cada segmento

Estes dados são extremamente importantes para determinar sua evolução durante um tratamento dietético e de atividade física. Com esta precisão de dados é possível individualizar o tratamento para perder peso.

Fatores de Risco da Obesidade

As causas da obesidade não são totalmente compreendidas, mas acredita-se que estejam relacionadas a inúmeros fatores, entre eles:

  • Genética: estudos em gêmeos, adotados por famílias diferentes, mostraram que a obesidade tem influência genética;
  • Idade: apesar de poder ocorrer em qualquer fase da vida, sabe-se que o risco de aumentar o peso é maior com o avanço da idade;
  • Sexo: mulheres em geral tem maior IMC que os homens;
  • Circunstâncias fisiológicas: gravidez, puberdade, menopausa3andropausa4;
  • Condições sócioeconômicas: a obesidade afeta mais as classes sociais menos favorecidas e menor nível cultural;
  • Sedentarismo;
  • Fatores psicológicos e doenças psiquiátricas;
  • Distúrbios do comportamento alimentar;
  • Medicamentos: certos medicamentos fazem ganhar peso como antipsicóticos e antidepressivos como clorpromazina, haloperidol, doxepina e lítio (medicamentos utilizados pelos psiquiatras), antiepilépticos como carbamazepina, corticóides, isoniazida e a maioria dos medicamentos para tratar diabetes.

Existem inúmeras pesquisas sobre a obesidade. Entre as teorias recentes existe a de mudança da flora intestinal na infância associada ao uso de antibióticos e até de um vírus ser a causa da obesidasde.

O que Acontece na Obesidade?

A obesidade consiste no aumento total da massa de tecido adiposo, causado pela hiperplasia (aumento do número de células) ou hipertrofia (aumento do volume) dos adipócitos (células gordurosas), os quais sofrem sobrecarga de triglicerídeos6 (forma com que a gordura circula no corpo).

O corpo de um adulto com o peso normal funciona dentro dos princípios da termodinâmica, onde o gasto energético (atividades físicas diárias) é semelhante à energia consumida (alimento). O aumento do aporte calórico (alimento) e diminuição do consumo energético (atividade física diária) levam a uma sobra de energia que será estocada no corpo como gordura. Quando falamos de atividade física diária não nos referimos ao exercício físico e sim às atividades normais do dia a dia como andar, levantar e sentar, e mesmo as necessidades básicas como respirar, etc.

Nos Adipócitos: os adipócitos são células especializadas em guardar gordura e em indivíduos obesos estão em maior número e com o seu tamanho aumentado (literalmente “gordas”). Elas apresentam uma capacidade de produzir um hormônio chamado leptina7, que regula o apetite e outros que produzem inflamação em todo corpo. Estas substâncias aumentam o risco de doenças do coração e de diabetes tipo 2. Nos obesos também há uma diminuição da secreção de um hormônio chamado adiponectina8 , que tem um papel importante na proteção contra estas doenças.

A insulina9 em geral nos obesos está aumentada e isto se deve à uma resistência do corpo em utilizá-la (prédiabetes). Para o corpo poder utilizar a insulina, o pâncreas precisa produzir uma quantidade muito maior; a insulina estimula o fígado a produzir triglicerídeos levando à diminuição da produção do colesterol bom (HDL).

Fígado e Músculos: em condições básicas, pessoas obesas têm maior capacidade de incorporar ácidos graxos (gordura) no fígado e nos músculos (o que contribui para a resistência à insulina).

Composição e Distribuição da Gordura Corporal

Em homens com peso normal a gordura corporal está entre 12 – 20% enquanto nas mulheres entre 20 e 30%.
Do ponto de vista morfológico existem dois tipos de obesidade:

Obesidade Hiperplásica: caracterizada pelo aumento do número de células gordurosas (adipócito), porém o tamanho delas permanece dentro do normal. Este tipo de obesidade aparece muito cedo (antes dos 18 ou 20 anos) , geralmente associada a obesidade ginóide (mais comum nas mulheres), conhecida, também, como obesidade baixa, periférica ou glúteofemoral e é mais resistente ao tratamento clínico.

Obesidade Hipertrófica: caracterizada por aumento do tamanho (hipertrofia) das células gordurosas, muitas vezes até em número menor que o normal. A distribuição destas células geralmente é andróide (abdominal), mais comum nos homens, geralmente se inicia na fase adulta e é associada com diabetes tipo 2, hipertensão arterial (pressão alta), hiperlipemia (colesterol e triglicerídeos altos) e doença coronariana.

Obesidade Mista: Combina as características de ambas descritas.

Fatos importantes sobre a obesidade

Diabetes Tipo 2: 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 têm sobrepeso ou obesidade;

Dislipidemia: a obesidade é associada a inúmeras alterações dos lipídios circulantes como triglicerídeos alto (hipertrigliceridemia), baixo HDL colesterol (colesterol bom) e aumento do LDL e VLDL colesterol que fazem com que aumente o risco de formar placas nas artérias;

Hiperuricemia : Ácido úrico elevado – Gota;

Síndrome Metabólica: Consiste na soma de doenças associadas à obesidade como apnéia do sono, colesterol e triglicerídeos altos, diabetes, pressão alta e outras. Três destas condições determinam a síndrome metabólica.


Complicações Digestivas: 

Hérnia hiatal12,

Pedras na vesícula13 (litíase biliar)50 a 70% dos pacientes com pedras na vesícula são obesos, pancreatite aguda14, hepatite não-alcóolica.


Complicações respiratórias

Disfunções Ventilatórias Mistas: predominantemente restritivas, envolvendo insuficiência respiratória;

Síndrome de Pickwick: caracterizada por extrema obesidade, sonolência diurna intensa, hipóxia (falta de oxigênio no sangue), hipercapnia (aumento do gás carbônico no sangue) , cianose (coloração azulada da pele, principalmente extremidades) e dilatação do coração;

Apneia do Sono: são períodos maiores que 10 segundos de parada respiratória durante o sono, geralmente associados a roncopatia (roncos) e arritmia cardíaca.

Complicações osteoarticulares: artrose das articulações maiores dos membros inferiores e coluna.


Complicações vasculares 

  • Varizes: dois terços das pessoas com varizes são obesas;
  • Insuficiência Venosa Crônica;
  • Trombose Venosa Profunda.

Doenças oncológicas (Câncer)

  • Câncer de Endométrio e Câncer de Mama são duas vezes mais comuns em mulheres obesas comparado à mulheres com o peso normal;
  • Câncer de Esôfago;
  • Câncer de Intestino Grosso e Reto.

Complicações Genito-Urinárias

Alterações Menstruais;

Diminuição da Fertilidade (capacidade de ter filhos);

Síndrome do Ovário Policístico;

Ginecomastia (aumento das mamas no homem);

Incontinência Urinária


Complicações psiquiátricas

  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Distúrbios Comportamentais.

Complicações de Pele (dermatites)

Infecções bacterianas;

Infecções por fungos;

Complicações da Obesidade e Doenças Associadas

Complicações Cardiovasculares: a obesidade, principalmente a andróide, é associada a um aumento do risco cardiovascular devido à aterosclerose10. Este risco aumenta proporcionalmente ao aumento do IMC.

Hipertensão Arterial (Pressão Alta): geralmente associada a obesidade, aumento o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (derrame). A perda de peso reduz a pressão arterial, independente de outros fatores;

Aterosclerose: é o depósito de placas de gordura dentro das artérias. Sua principal manifestação é na doença arterial coronariana e no cérebro quando ocorre o acidente vascular cerebral, comumente conhecido como derrame;

Insuficiência Cardíaca: geralmente secundária a doença coronariana e hipertensão arterial . Esta doença se agrava muito com a obesidade.


Complicações metabólicas: obesidade abdominal é mais associada com este tipo de complicação apresentando resistência a insulina e hiperinsulinemia (insulina alta no sangue).

O pâncreas produz mais insulina na tentativa de compensar o fato de não conseguir retirar o açúcar do sangue. O problema está no fato da obesidade criar uma condição que impede que a insulina funcione nos receptores específicos que estão na superfície das células para que o açúcar seja retirado da circulação.

O açúcar no sangue é altamente tóxico.

A insulina alta impede que as células hepáticas11 utilizem a gordura como fonte de energia e, portanto, aumentam o acúmulo de gordura. A resistência a insulina é o primeiro passo para o aparecimento do diabetes tipo 2. Quando o pâncreas se esgota na tentativa de produzir insulina, aparece o diabetes.

Até então, os altos níveis de insulina conseguem manter a glicemia (açúcar no sangue) normal. Por isso é muito importante, além de pedir um exame de glicemia, também solicitar um exame de insulinemia (taxa de insulina no sangue).

 


Resultado

SEU IMC ESTÁ ENTRE:

Menor que 17

Segundo a fórmula de Quetelet (IMC) seu peso está abaixo da normalidade. Muitas vezes é necessário complementar esta conta com um exame de bioimpedância. A bioimpedância é capaz de segmentar seu corpo calculando a quantidade de gordura e músculos. Na clínica dispomos deste exame em equipamento de última geração.

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Entre 17 a 18.50

Segundo a fórmula de Quetelet (IMC) seu peso está abaixo da normalidade. Muitas vezes é necessário complementar esta conta com um exame de bioimpedância. A bioimpedância é capaz de segmentar seu corpo calculando a quantidade de gordura e músculos. Na clínica dispomos deste exame em equipamento de última geração.

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Entre 18.5 e 25

Segundo a fórmula de Quetelet (IMC) seu peso está dentro da normalidade. Muitas vezes é necessário complementar esta conta com um exame de bioimpedância. A bioimpedância é capaz de segmentar seu corpo calculando a quantidade de gordura e músculos. Na clínica dispomos deste exame em equipamento de última geração.

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Entre 25 e 29,99

Seu IMC representa o sobrepeso. Para esta faixa de excesso de peso, o tratamento é apenas clínico . Geralmente, mudanças nos hábitos alimentares com orientação nutricional e controle da ansiedade com acompanhamento psicológico e, algumas vezes, psiquiátrico é recomendado. E finalmente, não esquecer da importância da atividade física para ajudar a aumentar o gasto calórico, levando a uma perda de peso maior e duradoura.

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Entre 30 e 34,99

Seu IMC representa uma Obesidade Grau I . Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica esta faixa de excesso de peso não poderá se beneficiar com a cirurgia. Atualmente o tratamento de escolha é o Balão Intragástrico associado à um acompanhamento mensal com equipe multidisciplinar. A aderência a este tratamento pode levar a perda de peso em média de 15 a 25 Kg em 6 meses.

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Entre 35 e 39,99

Seu IMC representa uma Obesidade Grau II. Nesta faixa de peso, pessoas com doenças associadas à obesidade como pressão alta, diabetes ou pré-diabetes, doenças articulares ou de coluna, apnéia do sono grave, colesterol alto são indicativos de cirurgia bariátrica. Para saber se este é o seu caso precisa fazer exames específicos.

Você tem alguma doença associada ?

Sim                        Não

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Maior que 40

Seu IMC representa Obesidade Mórbida. Atualmente não existe tratamento mais efetivo do que a cirurgia bariátrica para esta faixa de obesidade. A taxa de pacientes tratados clinicamente que voltam a engordar em dois anos com IMC acima de 40 chega a 92%.

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