Atualizado em setembro de 2026 — com os resultados mais recentes dos estudos de fase 3 da retatrutida.
Conteúdo em atualização: a retatrutida ainda está em estudo e novas informações continuam sendo divulgadas. A Clínica Caetano Marchesini acompanha os estudos científicos e as informações dos órgãos reguladores e atualizará este conteúdo conforme surgirem novidades relevantes sobre eficácia, segurança e eventual aprovação do medicamento no Brasil.
A retatrutida tem chamado atenção pelos resultados apresentados nos estudos clínicos para obesidade e diabetes tipo 2. Ainda em investigação, a molécula pertence a uma nova geração de medicamentos que atuam simultaneamente em diferentes mecanismos relacionados ao controle do peso e ao metabolismo.
O interesse aumentou ainda mais com a divulgação dos estudos de fase 3. Em setembro de 2026, novos resultados mostraram redução média de peso de até 20,8% em 80 semanas entre participantes com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2. Em outro estudo de fase 3, realizado em pessoas sem diabetes, foram observadas reduções médias ainda maiores.
Esses números ajudam a entender por que a retatrutida passou a ser mencionada como possível próxima geração dos medicamentos utilizados contra a obesidade.
Mas existe uma informação fundamental antes de avançarmos: a retatrutida ainda é um medicamento experimental. Ela não está aprovada para comercialização no Brasil e não deve ser confundida com produtos que já podem ser prescritos para o tratamento da obesidade.
Neste artigo, vamos explicar o que já se sabe sobre a retatrutida, como ela funciona, quais resultados foram observados nos estudos, como se diferencia da tirzepatida e por que ainda é preciso cautela diante das informações que circulam sobre o medicamento.
O que é retatrutida?
A retatrutida é uma molécula desenvolvida pela Eli Lilly que está sendo estudada principalmente para o tratamento da obesidade, sobrepeso, diabetes tipo 2 e condições associadas.
Nos estudos clínicos, ela é administrada por injeção subcutânea uma vez por semana. Sua principal característica é atuar simultaneamente sobre três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon.
Por isso, a retatrutida é classificada como um agonista triplo.
Um agonista é, de forma simplificada, uma substância capaz de se ligar a determinado receptor e ativá-lo, desencadeando uma resposta no organismo.
A atuação em três receptores diferencia a retatrutida de medicamentos já conhecidos para o tratamento da obesidade.
A semaglutida atua principalmente no receptor de GLP-1. A tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1. A retatrutida acrescenta a esse mecanismo a ação sobre o receptor de glucagon.
Essa terceira via é uma das razões pelas quais a molécula tem despertado tanto interesse.
Retatrutida é um “GLP-3”?
Não.
O termo “GLP-3” começou a ser utilizado informalmente para descrever a retatrutida, provavelmente porque ela atua sobre três receptores.
Mas essa denominação não corresponde à classificação científica da molécula.
O correto é dizer que a retatrutida é um agonista triplo dos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon.
Não existe, nesse caso, um terceiro GLP chamado “GLP-3”.
Como a retatrutida funciona?

Para entender por que a retatrutida é diferente, vale observar como os medicamentos para obesidade evoluíram nos últimos anos.
Os agonistas de GLP-1 ajudaram a mudar o tratamento clínico da obesidade ao atuar sobre mecanismos relacionados à fome, saciedade, controle glicêmico e ingestão alimentar.
Depois surgiram medicamentos capazes de atuar em mais de uma via. A tirzepatida, por exemplo, combina a ação nos receptores de GIP e GLP-1.
A retatrutida acrescenta um terceiro componente: o receptor de glucagon.
De maneira simplificada:
- GLP-1: participa do controle da saciedade, da ingestão alimentar e da glicose;
- GIP: participa da resposta metabólica aos nutrientes e do controle glicêmico;
- glucagon: acrescenta uma via relacionada ao metabolismo e ao gasto energético.
Essa última característica merece atenção.
Grande parte dos medicamentos modernos para obesidade consegue favorecer a perda de peso principalmente porque a pessoa passa a sentir menos fome, maior saciedade e, consequentemente, tende a consumir menos energia.
Com a retatrutida, os pesquisadores procuram acrescentar outra frente: influenciar também o gasto energético.
Em vídeo publicado pela Clínica Caetano Marchesini, o endocrinologista Dr. Gustavo Dissenha explica justamente essa diferença. Segundo ele, enquanto boa parte das opções anteriores se concentra principalmente na ingestão alimentar, a retatrutida acrescenta uma ação relacionada ao gasto de energia.
Isso não significa que a retatrutida simplesmente “acelere o metabolismo” de qualquer pessoa, nem que seus efeitos possam ser comparados aos de substâncias estimulantes. O mecanismo é mais complexo e continua sendo estudado.
Vídeo: Retatrutida — Dr. Gustavo Dissenha, endocrinologista da Clínica Caetano Marchesini
https://www.youtube.com/shorts/9p8uMeV2iGU
Para entender melhor como funcionam as opções que já fazem parte do tratamento atual da obesidade, veja também nosso artigo sobre medicamentos injetáveis para emagrecimento.
Qual é a diferença entre retatrutida, tirzepatida e semaglutida?

A diferença mais fácil de compreender está justamente no número de receptores envolvidos.
| Medicamento | Principais receptores-alvo |
| Semaglutida | GLP-1 |
| Tirzepatida | GIP + GLP-1 |
| Retatrutida | GIP + GLP-1 + glucagon |
Isso não significa, porém, que simplesmente atuar em mais receptores torne automaticamente um medicamento melhor para todas as pessoas.
A resposta ao tratamento da obesidade depende de diferentes fatores, incluindo condição clínica, doenças associadas, contraindicações, tolerabilidade e resposta individual.
Além disso, semaglutida e tirzepatida já possuem indicações aprovadas, enquanto a retatrutida permanece em investigação.
Essa diferença é essencial.
Quanto peso a retatrutida pode ajudar a perder?

Os resultados dos estudos são uma das principais razões para o interesse em torno da retatrutida.
Em um estudo de fase 2 publicado em 2023 no New England Journal of Medicine, adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição relacionada ao peso apresentaram reduções importantes.
Na dose de 12 mg estudada naquele ensaio, a redução média chegou a 24,2% do peso corporal em 48 semanas.
Desde então, o programa de pesquisa avançou para estudos de fase 3.
Entre os resultados mais recentes estão:
| Estudo | População | Período | Resultado de destaque |
| Fase 2 | Adultos com obesidade ou sobrepeso e condição associada | 48 semanas | até 24,2% de redução média do peso |
| TRIUMPH-1 | Adultos com obesidade ou sobrepeso, sem diabetes | 80 semanas | até 28,3% de redução média do peso |
| TRIUMPH-2 | Adultos com diabetes tipo 2 e obesidade ou sobrepeso | 80 semanas | até 20,8% de redução média do peso |
Os estudos possuem populações e desenhos diferentes. Por isso, os percentuais não devem ser utilizados para concluir que determinado resultado acontecerá com qualquer pessoa.
Também não devem ser interpretados como promessa de emagrecimento.
No TRIUMPH-2, cujos resultados detalhados foram divulgados em setembro de 2026, participantes que receberam a dose de 12 mg estudada apresentaram redução média de 20,8% do peso em 80 semanas. Nesse grupo, 59,5% deixaram de preencher o critério de IMC para obesidade ao final do estudo.
O resultado chamou atenção também porque os participantes tinham diabetes tipo 2, condição que pode tornar a perda de peso mais difícil em alguns contextos.
Mas os resultados precisam ser analisados junto com os dados de segurança e tolerabilidade, e não isoladamente.

Retatrutida é melhor que Mounjaro ou tirzepatida?
Ainda não é possível afirmar que a retatrutida seja melhor que a tirzepatida.
Mounjaro® é um nome comercial da tirzepatida, medicamento que atua sobre os receptores de GIP e GLP-1.
Como a retatrutida apresentou percentuais expressivos de perda de peso em seus estudos, tornou-se comum encontrar comparações entre as duas substâncias.
Há, entretanto, um problema em comparar diretamente os números de estudos diferentes.
Populações, duração, critérios de inclusão, metodologia e outras características podem mudar de um ensaio clínico para outro. Por isso, observar que um estudo da retatrutida apresentou determinado percentual e compará-lo com o percentual de outro estudo da tirzepatida não permite concluir cientificamente que uma é superior à outra.
Essa pergunta deverá ter uma resposta mais consistente quando houver dados de comparação direta.
O estudo de fase 3 TRIUMPH-5 foi desenvolvido justamente para comparar retatrutida e tirzepatida em adultos com obesidade. Em setembro de 2026, os resultados ainda não haviam sido publicados.
Quando esses dados estiverem disponíveis, este artigo será atualizado.
Retatrutida preserva massa muscular?
Essa é outra afirmação que começou a circular nas redes sociais: a ideia de que a retatrutida poderia promover grande perda de gordura preservando a massa muscular.
Até o momento, não há evidência suficiente para afirmar que a retatrutida preserve a massa muscular de maneira especial.
O próprio Dr. Gustavo Dissenha chama atenção para isso no vídeo da Clínica Caetano Marchesini: embora seja uma possibilidade discutida, ainda não é correto tratar essa característica como cientificamente comprovada.
Esse cuidado é importante porque emagrecimento não significa exclusivamente perda de gordura.
Quando uma pessoa perde uma quantidade significativa de peso, pode ocorrer também redução de massa magra. Por isso, preservar musculatura durante um tratamento para obesidade envolve fatores que vão além da escolha do medicamento, como alimentação adequada, ingestão proteica, atividade física e acompanhamento profissional.
Portanto, afirmações como “retatrutida emagrece sem perder músculo” devem ser vistas com cautela.
Quais são os possíveis efeitos colaterais da retatrutida?
Como a retatrutida ainda está em investigação, seu perfil de segurança continua sendo estudado.
Nos ensaios realizados até agora, os eventos adversos mais frequentes foram principalmente gastrointestinais.
No TRIUMPH-2, por exemplo, foram relatados com maior frequência:
- diarreia;
- náusea;
- constipação;
- redução do apetite;
- vômitos.
A frequência de alguns desses eventos aumentou conforme a dose estudada.
Na dose de 12 mg do TRIUMPH-2, por exemplo, foram relatadas diarreia em 33,6% dos participantes, náusea em 28% e vômitos em 15,7%. Na maioria dos casos, os eventos foram classificados como leves ou moderados.
O estudo de fase 2 também observou aumento da frequência cardíaca dependente da dose, com pico durante o período de acompanhamento e redução posteriormente.
Essas informações ajudam a mostrar por que não devemos avaliar um medicamento experimental apenas pelo percentual de perda de peso.
A pesquisa clínica existe justamente para responder duas perguntas que precisam caminhar juntas: quanto o tratamento funciona e quão seguro ele é.
Retatrutida já está à venda no Brasil?
Não.
Em setembro de 2026, a retatrutida não possui aprovação para comercialização no Brasil.
Na verdade, ela ainda não foi aprovada por nenhuma agência reguladora para uso público.
A Anvisa publicou um alerta específico sobre a substância em julho de 2026, destacando que a retatrutida permanece experimental e que produtos anunciados com esse nome vêm sendo encontrados em sites irregulares e em operações contra o comércio ilegal de medicamentos.
Portanto, encontrar anúncios de “retatrutida”, frascos, ampolas ou supostas canetas à venda não significa que o medicamento estudado nos ensaios clínicos esteja disponível comercialmente.
Então por que existem produtos anunciados como retatrutida?
A procura pelo medicamento surgiu antes de sua aprovação.
Isso abriu espaço para a oferta irregular de produtos utilizando o nome retatrutida.
O problema é que, fora dos estudos clínicos autorizados, não há garantia de que esses produtos contenham a molécula declarada, nem de sua concentração, pureza, fabricação, armazenamento ou segurança.
A própria Lilly alerta que produtos oferecidos ao público como retatrutida fora de seus estudos podem conter quantidade incorreta do princípio ativo, ingredientes desconhecidos, impurezas ou até uma substância diferente daquela informada.
A Anvisa também já determinou apreensões envolvendo produtos apresentados como retatrutida e reforça que não existe atualmente uma retatrutida aprovada disponível para venda.
Por esse motivo, buscas como “retatrutida preço”, “retatrutida onde comprar” ou “retatrutida dose” precisam ser respondidas com uma informação anterior a qualquer discussão sobre valores ou modo de uso:
a retatrutida ainda não é um medicamento disponível para tratamento clínico.
Quando a retatrutida será lançada no Brasil?
Ainda não existe uma data oficial.
O desenvolvimento de um medicamento não termina quando um estudo apresenta bons resultados.
É necessário concluir o programa clínico, reunir os dados de eficácia e segurança e submetê-los às autoridades reguladoras. Somente depois da avaliação e de eventual aprovação o medicamento poderá ser comercializado para as indicações autorizadas.
A Lilly informou que pretende apresentar um pedido regulatório nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2027.
Isso não significa que a retatrutida estará disponível em 2027, nem permite estabelecer uma data para sua chegada ao Brasil.
O processo brasileiro dependerá de uma futura submissão e avaliação pela Anvisa.
A Clínica Caetano Marchesini acompanha a evolução das pesquisas sobre a retatrutida. Este artigo será atualizado sempre que houver novidades relevantes sobre os estudos, aprovação regulatória e eventual disponibilidade do medicamento no Brasil.
Retratutida ou retatrutida: qual é o nome correto?
O nome correto é retatrutida.
“Retratutida” é uma grafia incorreta que se tornou bastante comum, especialmente nas pesquisas na internet.
A confusão é compreensível: retatrutida ainda não é exatamente o nome mais fácil de pedir para o corretor automático decorar.
Mas, para não restar dúvida:
Retatrutida = correto.
Retratutida = grafia incorreta.
Ao procurar estudos científicos ou informações oficiais sobre a molécula, portanto, o termo a ser utilizado é retatrutida — ou retatrutide, em inglês.
O que ainda precisamos saber sobre a retatrutida?
Os resultados divulgados até setembro de 2026 colocam a retatrutida entre as moléculas mais estudadas atualmente no campo da obesidade e das doenças metabólicas.
Mas ainda existem perguntas importantes.
Precisamos conhecer melhor sua segurança no uso prolongado, acompanhar os resultados completos dos estudos de fase 3, compreender quais pacientes poderão se beneficiar mais e conhecer os resultados da comparação direta com outros medicamentos.
Também será necessário saber quais indicações efetivamente serão submetidas às autoridades reguladoras e, posteriormente, quais poderão ser aprovadas.
Essa diferença entre resultado promissor e tratamento aprovado é fundamental.
A história recente do tratamento da obesidade mostra avanços importantes. Mas a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, e nenhuma nova medicação deve ser vista isoladamente como solução universal.
A retatrutida já pode fazer parte de um tratamento para obesidade?
Neste momento, não.
A retatrutida permanece em investigação e não deve ser utilizada fora dos estudos clínicos autorizados.
Isso não significa, entretanto, que uma pessoa interessada na retatrutida precise esperar pelo seu eventual lançamento para procurar tratamento.
Hoje já existem diferentes tratamentos para emagrecimento, incluindo mudanças de estilo de vida, acompanhamento nutricional, atividade física, medicamentos, tratamentos endoscópicos e cirurgia bariátrica, dependendo das características e necessidades de cada paciente.
Também existem medicamentos injetáveis para emagrecimento que já passaram por avaliação regulatória e podem ser prescritos quando houver indicação médica.
Na Clínica Caetano Marchesini, o tratamento da obesidade é individualizado. Para pacientes que possuem indicação para tratamento medicamentoso, a clínica oferece acompanhamento médico com injetáveis para emagrecimento em Curitiba, utilizando opções atualmente disponíveis e adequadas ao perfil de cada paciente.
A expectativa em torno da retatrutida mostra o quanto o tratamento da obesidade continua evoluindo. Até que novas opções sejam aprovadas, porém, a decisão mais segura continua sendo utilizar os recursos cuja eficácia, segurança e indicação já foram avaliadas, sempre com acompanhamento profissional.
Perguntas frequentes sobre retatrutida
Retatrutida já foi aprovada pela Anvisa?
Não. Em setembro de 2026, a retatrutida continua sendo uma molécula experimental e não possui aprovação da Anvisa para comercialização no Brasil.
Quando a retatrutida chega ao Brasil?
Ainda não existe uma data oficial. A eventual chegada ao Brasil dependerá da conclusão do desenvolvimento clínico, da submissão do medicamento à Anvisa e de sua aprovação.
Retatrutida é Mounjaro?
Não. Mounjaro® contém tirzepatida, que atua nos receptores de GIP e GLP-1. A retatrutida é outra molécula e atua em três receptores: GIP, GLP-1 e glucagon.
Retatrutida é GLP-3?
Não. “GLP-3” é um apelido informal e cientificamente incorreto. A retatrutida é classificada como um agonista triplo dos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon.
Retatrutida preserva massa muscular?
Ainda não há evidência suficiente para afirmar que a retatrutida preserve a massa muscular de forma especial durante o emagrecimento. Estudos de composição corporal mostram que a perda de peso pode incluir também massa magra, como ocorre com outros tratamentos para obesidade.
É possível comprar retatrutida atualmente?
Não existe retatrutida aprovada disponível para comercialização ao público. Produtos anunciados com esse nome fora de estudos clínicos autorizados não possuem as mesmas garantias de identidade, qualidade, dose, eficácia e segurança exigidas de um medicamento aprovado.