Atualização científica — 23 de outubro de 2026
Conteúdo em atualização: Este artigo acompanha o desenvolvimento do implante NPM-139. As informações sobre estudos clínicos, duração e disponibilidade poderão ser atualizadas conforme forem divulgados novos resultados e decisões regulatórias.
Um pequeno dispositivo é implantado sob a pele, projetado para liberar semaglutida continuamente durante meses. Essa é a proposta de uma nova tecnologia que vem despertando interesse no tratamento da obesidade e que ficou conhecida popularmente como “chip de Ozempic”.
A novidade promete reduzir a necessidade de aplicações frequentes, uma das dificuldades enfrentadas por pacientes que utilizam medicamentos injetáveis para emagrecimento. Mas será que o implante de semaglutida realmente funciona? Ele já pode ser utilizado? E quais são os riscos?
Embora os primeiros estudos em humanos já tenham começado, a tecnologia ainda está em desenvolvimento. Isso significa que existem expectativas promissoras, mas também perguntas importantes que a ciência precisa responder.
Neste artigo, a Clínica Caetano Marchesini explica como funciona o dispositivo, quais são suas possíveis vantagens e o que já sabemos sobre o andamento das pesquisas.
O que é o chip de Ozempic?
O chamado chip de Ozempic é um implante subcutâneo experimental desenvolvido para liberar semaglutida de forma prolongada.
A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy. Ela pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, medicamentos que reproduzem parte da ação de um hormônio intestinal envolvido na regulação da glicose, do apetite e da saciedade.
Atualmente, existem apresentações de semaglutida administradas por injeções e por via oral, dependendo do medicamento e de sua indicação.
O novo implante busca oferecer uma alternativa à necessidade de administrar doses regularmente.
Um dos projetos mais avançados é o NPM-139, desenvolvido pela empresa norte-americana Vivani Medical. O dispositivo utiliza uma tecnologia chamada NanoPortal, projetada para liberar o medicamento gradualmente no organismo.
É importante esclarecer que o nome “chip de Ozempic” é uma expressão popular. O dispositivo não é uma versão implantável do produto comercial Ozempic, mas uma tecnologia experimental que utiliza o mesmo princípio ativo.
Como funciona o implante de semaglutida?
O implante de semaglutida é um pequeno dispositivo projetado para ser colocado sob a pele por meio de um procedimento realizado por profissional habilitado.
Depois de inserido, sua estrutura permite que o medicamento seja liberado progressivamente, em vez de depender de aplicações semanais.
No caso do NPM-139, a tecnologia NanoPortal foi desenvolvida para controlar essa liberação durante um período prolongado.
O objetivo é manter uma exposição mais contínua ao medicamento, reduzindo as oscilações relacionadas à administração de doses e, principalmente, a possibilidade de interrupções involuntárias do tratamento.
A possibilidade de retirar o dispositivo é um aspecto importante da proposta, especialmente quando há necessidade de interromper o tratamento. Entretanto, a segurança, a viabilidade e as condições dessa retirada ainda precisam ser avaliadas no desenvolvimento clínico do implante.
Entretanto, a velocidade de liberação, a duração efetiva, a facilidade de retirada e o comportamento da semaglutida no organismo ainda precisam ser avaliados em estudos clínicos específicos.
O implante de semaglutida pode durar até um ano?
A expectativa dos desenvolvedores é que versões do implante possam oferecer liberação contínua de semaglutida durante aproximadamente seis a doze meses.
Isso explica por que a tecnologia também vem sendo apresentada como uma possível alternativa de administração anual.
Mas existe uma diferença importante entre a duração projetada de um dispositivo e a duração comprovada em pacientes.
Até outubro de 2026, os estudos clínicos divulgados sobre o NPM-139 ainda não haviam demonstrado, em humanos, segurança e eficácia durante um ano inteiro de utilização.
Portanto, a possibilidade de um implante anual deve ser entendida como um objetivo de desenvolvimento, e não como uma característica clínica já estabelecida.
Quais seriam as vantagens em relação às canetas emagrecedoras?
Uma das principais propostas do implante é tornar o tratamento mais prático para pacientes que precisam utilizar medicamentos durante períodos prolongados.
No vídeo “Chip de Ozempic ou Implante de Semaglutida: Vale a pena?”, o Dr. Caetano Marchesini destaca justamente a importância dessa evolução tecnológica.
Segundo o médico, as aplicações frequentes e o esquecimento de doses podem representar obstáculos à continuidade do tratamento.
O implante de liberação lenta surge como uma possível alternativa para reduzir essas dificuldades.
Assista ao vídeo do Dr. Caetano Marchesini sobre o implante de semaglutida
Menos aplicações ao longo do tratamento
Medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade podem exigir aplicações semanais.
Para algumas pessoas, a necessidade de manter essa rotina representa um inconveniente, seja pelo desconforto com agulhas, pela dificuldade de organização ou por questões relacionadas ao cotidiano.
Um dispositivo de longa duração poderia diminuir significativamente a frequência dessas administrações.
Menor risco de esquecer doses
A continuidade do tratamento é particularmente importante no acompanhamento de doenças crônicas, como a obesidade.
A interrupção do tratamento pode dificultar a manutenção dos resultados alcançados. O reganho de peso, entretanto, envolve diferentes fatores e não pode ser atribuído apenas ao esquecimento de doses.
Uma tecnologia de liberação contínua poderia reduzir interrupções involuntárias da medicação, mas não eliminaria a necessidade de acompanhamento médico.
Entretanto, isso não significa que o dispositivo eliminaria a necessidade de acompanhamento médico ou garantiria resultados superiores aos das apresentações convencionais.
Possibilidade de tratamento prolongado
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. Em muitos casos, seu tratamento exige acompanhamento contínuo, mesmo depois de uma perda de peso significativa.
Nesse contexto, medicamentos de longa duração podem representar uma evolução importante.
Ainda assim, a decisão sobre iniciar, manter, ajustar ou interromper um tratamento depende de fatores individuais, incluindo resposta clínica, efeitos adversos, outras doenças e objetivos terapêuticos.
O chip de Ozempic já foi testado em seres humanos?
Sim. Em 2026, o implante NPM-139 entrou em sua primeira etapa de estudos clínicos em humanos.
O ensaio, chamado SLIM-1, começou na Austrália e envolve 20 participantes com sobrepeso ou obesidade, sem uso prévio de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1.
De acordo com informações divulgadas pela Vivani Medical em agosto de 2026, todos os participantes já haviam recebido as intervenções previstas no estudo.
A pesquisa compara uma dose baixa do implante NPM-139 com uma dose inicial de Wegovy, medicamento injetável que também contém semaglutida.
O objetivo principal é avaliar:
- A segurança do dispositivo;
- A tolerabilidade ao tratamento;
- A forma como a semaglutida é absorvida e permanece no organismo;
- O comportamento da liberação do medicamento após a implantação.
Alterações no peso corporal também serão observadas.
Essa é uma pesquisa de fase 1, etapa inicial do desenvolvimento clínico. Portanto, ainda não é um estudo capaz de estabelecer definitivamente a eficácia do implante para o emagrecimento em longo prazo.
O que já sabemos sobre os resultados?
Até 23 de outubro de 2026, a fabricante havia confirmado a conclusão da inclusão dos participantes e da administração inicial dos tratamentos.
Os primeiros resultados gerais do SLIM-1 estavam previstos para novembro de 2026.
A empresa também informou a intenção de avançar para um estudo de fase 2 em 2027, dependendo dos resultados e das autorizações necessárias.
Essa próxima etapa deverá ajudar a esclarecer quais doses podem ser adequadas e qual é o efeito do implante sobre o controle do peso.
É importante não confundir esses dados com resultados anteriores obtidos em pesquisas com outros medicamentos ou em modelos animais.
Embora essas pesquisas ajudem a orientar o desenvolvimento da tecnologia, a eficácia do implante de semaglutida precisa ser demonstrada em estudos realizados com o próprio dispositivo.
O implante de semaglutida apresenta riscos ou efeitos colaterais?
Essa é uma das questões mais importantes a serem esclarecidas antes que a tecnologia possa ser considerada uma alternativa de tratamento.
A semaglutida já é utilizada em medicamentos aprovados para indicações específicas. Seus efeitos adversos conhecidos incluem manifestações gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação.
Entretanto, a utilização da mesma substância em um dispositivo de liberação prolongada exige avaliações adicionais.
Entre os aspectos que precisam ser investigados estão a tolerabilidade local do implante, a estabilidade da liberação do medicamento, a possibilidade de efeitos adversos prolongados e a segurança da retirada do dispositivo.
Outro ponto importante é o ajuste de dose.
Nos tratamentos convencionais com semaglutida, a dose pode ser aumentada gradualmente, conforme a indicação e a tolerância do paciente.
Em um implante de longa duração, os pesquisadores precisam demonstrar como o tratamento poderá ser individualizado e como será conduzida uma eventual necessidade de interrupção.
Portanto, não é possível concluir que o chip será mais seguro, mais eficaz ou melhor tolerado do que as canetas disponíveis atualmente.
Chip emagrecedor e implante de semaglutida são a mesma coisa?
Não necessariamente.
A expressão “chip emagrecedor” é utilizada popularmente para se referir a diferentes tipos de implantes, incluindo dispositivos hormonais que não têm relação com a semaglutida.
Essa distinção é fundamental.
O NPM-139 é um implante experimental desenvolvido para liberar semaglutida, um medicamento da classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
Já outros dispositivos divulgados como chips emagrecedores podem conter substâncias diferentes, apresentar mecanismos de ação distintos e ter situações regulatórias próprias.
Por isso, não é adequado tratar todos esses produtos como equivalentes.
O nome comercial ou popular de uma tecnologia não substitui a identificação de sua composição, indicação médica, evidências científicas e situação perante os órgãos reguladores.
O chip de Ozempic já está disponível no Brasil?
Não. O implante NPM-139 ainda é uma tecnologia experimental e não está disponível como tratamento aprovado para obesidade no Brasil.
O início de um estudo clínico em outro país não significa que o produto tenha recebido autorização para comercialização.
Para chegar aos pacientes, o dispositivo ainda precisará passar por etapas adicionais de pesquisa, com demonstração de segurança, eficácia e qualidade, além das avaliações regulatórias pertinentes.
No Brasil, a comercialização de medicamentos e produtos sujeitos à vigilância sanitária depende das autorizações aplicáveis da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Também não existe, neste momento, uma data confirmada para a eventual chegada do NPM-139 ao mercado brasileiro.
Quanto custa o implante de semaglutida?
Como o produto ainda está em desenvolvimento clínico, não há um preço comercial estabelecido para o tratamento.
Informações sobre valores de implantação, duração, substituição do dispositivo ou custo anual devem ser tratadas com cautela.
Qualquer comparação financeira com medicamentos disponíveis atualmente seria prematura, já que ainda não conhecemos as condições de comercialização de uma eventual versão aprovada.
O implante poderá substituir as canetas emagrecedoras?
Essa possibilidade dependerá dos resultados das próximas etapas de pesquisa.
Se a tecnologia demonstrar segurança, eficácia e uma duração de ação compatível com o tratamento da obesidade, poderá representar uma alternativa interessante para determinados pacientes.
Entretanto, isso não significa que os implantes necessariamente substituirão os medicamentos injetáveis.
Diferentes apresentações podem continuar sendo importantes, especialmente porque os pacientes apresentam necessidades, respostas e condições clínicas distintas.
Além disso, a conveniência de um dispositivo de longa duração precisa ser equilibrada com a possibilidade de ajustar ou interromper o tratamento quando necessário.
A escolha de uma terapia para obesidade deve considerar muito mais do que a frequência de administração do medicamento.
O futuro dos tratamentos para obesidade
O desenvolvimento do implante de semaglutida faz parte de um movimento mais amplo de inovação no tratamento da obesidade. Outras substâncias em investigação, como a retatrutida, também demonstram como a pesquisa científica busca ampliar as possibilidades terapêuticas. São tecnologias diferentes, com mecanismos, estágios de desenvolvimento e evidências que precisam ser avaliados individualmente.
A perspectiva de um dispositivo que libere medicação continuamente durante meses é relevante, especialmente para pacientes que enfrentam dificuldades para manter tratamentos prolongados.
Como destaca o Dr. Caetano Marchesini em seu vídeo, a redução das aplicações frequentes pode representar um avanço importante na praticidade e na continuidade do cuidado.
Mas a evolução tecnológica não elimina a necessidade de avaliação médica.
A obesidade envolve fatores metabólicos, comportamentais, hormonais e genéticos, e seu tratamento pode incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos, procedimentos endoscópicos e cirurgia bariátrica, conforme cada situação.
Na Clínica Caetano Marchesini, o acompanhamento da evolução científica faz parte do compromisso de oferecer informações atualizadas sobre as possibilidades de tratamento da obesidade.
Enquanto o implante de semaglutida permanece em investigação, pacientes que desejam tratar o excesso de peso podem conhecer os tratamentos para emagrecimento disponíveis e buscar orientação especializada para identificar as alternativas adequadas ao seu quadro clínico.
Perguntas frequentes sobre o chip de Ozempic
O chip de Ozempic realmente emagrece?
O dispositivo foi desenvolvido para liberar semaglutida, substância utilizada em medicamentos para controle do peso. Entretanto, ainda não existem resultados clínicos suficientes para determinar a eficácia do implante NPM-139 no emagrecimento em longo prazo.
O implante de semaglutida dura um ano?
A duração de seis a doze meses é uma meta tecnológica anunciada pelos desenvolvedores. Ainda são necessários estudos para comprovar a duração, a eficácia e a segurança desse período de utilização em humanos.
O chip de Ozempic é aprovado pela Anvisa?
Não. O NPM-139 permanece em fase experimental e não possui aprovação para comercialização como tratamento de obesidade no Brasil.
Qual é a diferença entre o chip de Ozempic e as canetas emagrecedoras?
A principal diferença proposta está na forma de administração. As canetas exigem aplicações periódicas, enquanto o implante experimental busca liberar semaglutida continuamente durante meses. A equivalência clínica entre essas formas de administração ainda precisa ser demonstrada.
Quando o implante de semaglutida estará disponível?
Não existe uma data confirmada. Os primeiros resultados do estudo clínico SLIM-1 estavam previstos para novembro de 2026, e novas etapas de pesquisa serão necessárias antes de uma eventual comercialização.
Fontes e referências
- Vivani Medical — Vivani Medical Announces Successful Dosing of All Participants in SLIM-1 (6 de agosto de 2026).
- Vivani Medical — Second Quarter 2026 Financial Results and Business Update (13 de agosto de 2026).
- Vivani Medical — Regulatory Approval for the Initiation of SLIM-1 (25 de junho de 2026).
- Dr. Caetano Marchesini — Chip de Ozempic ou Implante de Semaglutida: Vale a pena?.